Tratamento endoscópico de adenomas duodenais em pacientes com PAF

Tratamento endoscópico de adenomas duodenais em pacientes com PAF
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O duodeno e a região periampular são o principal sítio de desenvolvimento de adenomas em pacientes com PAF já submetidos a colectomia. O score de Spigelman é muito utilizado para quantificar o acometimento duodenal e ajuda a definir conduta. Quando o paciente apresenta score IV, alguns autores recomendam a duodenopancreatectomia profilática, devido ao risco elevado de adenocarcinoma. No entanto, essa conduta é controversa, visto a alta morbi-mortalidade desta cirurgia.

Classifi cação de Spigelman: nenhum pólipo: estágio 0; 1 a 4 pontos: estágio I; 5 a 6 pontos: estágio II; 7 a 8 pontos: estágio III; 9 a 12 pontos: estágio IV.

Classifi cação de Spigelman: nenhum pólipo: estágio 0; 1 a 4 pontos: estágio I; 5 a 6 pontos:
estágio II; 7 a 8 pontos: estágio III; 9 a 12 pontos: estágio IV.

Os autores deste estudo, partiram do pressuposto que os pacientes com polipose duodenal no estádio IV são passíveis de tratamento endoscópico e podem ser poupados de cirurgia.

Duodenoscopia com índigo-carmim revelando múltiplos pequenos adenomas duodenais

Duodenoscopia com índigo-carmim revelando múltiplos pequenos adenomas duodenais

 

Neste estudo retrospectivo, os autores demonstraram que os pacientes com estádio IV de Spigelman podem ser tratados endoscopicamente, sendo possível o downstaging em 95% dos casos. Trinta e cinco pacientes foram acompanhados com endoscopias periódicas durante um período médio de 9 anos (1-19 anos). A terapêutica endoscópica incluía mucosectomia para as maiores lesões, e ablação com plasma de argônio para adenomas menores que 5 mm. Nenhum paciente nesta série desenvolveu adenocarcinoma. Ocorreram 15 complicações em 245 procedimentos: sangramento (2.8%), pancreatite (2.8%) e perfuração necessitando de cirurgia em 1 caso (0.4%).

A conduta endoscópica parece ser uma opção atrativa nestas situações e pode poupar o paciente de uma conduta mais agressiva como a gastroduodenopancreatectomia e, sobretudo, evitar o aparecimento de um adenocarcinoma de duodeno. Estudos prospectivos com seguimento a longo prazo serão bem-vindos para validar este método e confirmar sua real eficácia.

 

Veja o vídeo de ressecção endoscópica de adenoma duodenal em paciente com PAF

 

Endoscopic treatment of severe duodenal polyposis as an alternative to surgery for patients with familial adenomatous polyposis

Moussata D, Napoleon B, Lepilliez V, Klich A, Ecochard R, Lapalus MG, Nancey S, Cenni JC, Ponchon T, Chayvialle JA, Saurin JC.

Gastrointest Endosc. 2014 Nov;80(5):817-25

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Foto de perfil de Bruno Martins

Médico Endoscopista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP)
Médico Endoscopista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Doutor em Gastroenterologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Contato: bruno.endoscopia@gmail.com
www.cpe.med.br

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2 Comentários

  1. Foto de perfil de Felipe Paludo Salles

    Bruno, existe algum protocolo de seguimento destes pacientes? Especialmente relacionado ao intestino delgado ?

    • Foto de perfil de Bruno Martins

      Para intestino delgado eu desconheço, mas para screening de neoplasias no TGI superior existem as recomendações do American College of Gastroenterology e as recomendações da Sociedade europeia. A vigilância americana é mais rigorosa:
      – iniciar o screening com 25-30 anos nos individuos assintomáticos;
      Intervalos subsequentes com base na classificação de Spigelman:
      – Estádio 0 ou I: 4 anos
      – Estádio II: 2-3 anos
      – Estádio III: 6-12 meses
      – Estádio IV: considerar cirurgia

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