A perda de peso com balão intragástrico melhora a evolução dos pacientes super-superobesos que serão submetidos a cirurgia bariátrica ?

A perda de peso com balão intragástrico melhora a evolução dos pacientes super-superobesos que serão submetidos a cirurgia bariátrica ?
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Pacientes classificados como super-superobesos (IMC>60) possuem risco maior de morbi/mortalidade ao serem submetidos a cirurgia bariátrica. A literatura mostra que a redução de 10% do peso corporal reduz significativamente estes riscos.

O objetivo do estudo foi analisar a influência da perda de peso com balão intragástrico na redução do tempo cirúrgico, na conversão de laparoscopia para laparotomia, nas complicações pós operatórias e no resultado final da perda de peso após a cirurgia.

 

Desenho do estudo: estudo retrospectivo tipo caso-controle

Foram definidos como parâmetros  compostos para comparação após a cirurgia:

– Conversão para laparotomia

– Internação em UTI por mais de 2 dias

– Hospitalização por mais de 2 semanas

 

Foram selecionados 60 pacientes, sendo 23 para tratamento prévio com balão intragástrico e 37 sendo submetidos diretamente a cirurgia bariátrica conforme a tabela abaixo (clique na imagem):

TABELA DOS GRUPOS

De janeiro de 2004 a agosto de 2009 os pacientes foram submetidos a cirurgia bariátrica videolaparoscópica sendo que todos os índices de comorbidades reduziram após retirada do balão, porém apenas a pressão arterial sistólica e o nível de gama-GT foram estatisticamente significativos.

MELHORIA APOS BALAO

Na comparação dos grupos quanto aos adventos perioperatórios houve diminuição do tempo cirúrgico e nos parâmetros compostos  (conversão para laparotomia, internação em UTI por mais de 2 dias, hospitalização por mais de 2 semanas)

TABELA CIRURGICA

DADOS COMPOSTOS

No seguimento durante um ano não houve diferença estatística entre os grupos na perda de peso imediata e durante o período de acompanhamento.

 

CONCLUSÃO:

Apesar de não haver diferença na perda de peso pós cirurgia, a passagem do balão intragástrico diminui as complicações imediatas do procedimento cirúrgico e pode ser considerada como alternativa principalmente em pacientes super-superobesos onde a cirurgia bariátrica por videolaporoscopia possui maiores dificuldades técnicas.

 

LINK DO ARTIGO ORIGINAL:

Obes Surg. 2012 May;22(5):777-82. doi: 10.1007/s11695-011-0571-2.

Preoperative weight loss with intragastric balloon decreases the risk of significant adverse outcomes of laparoscopic gastric bypass in super-super obese patients. Zerrweck C1, Maunoury V, Caiazzo R, Branche J, Dezfoulian G, Bulois P, Verkindt H, Pigeyre M, Arnalsteen L, Pattou F.

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REVISÃO DE TEMA  –  Reganho de peso em paciente pós cirurgia bariátrica

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DIRETRIZES – Papel da endoscopia no paciente de cirurgia bariátrica

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VIDEO – Retirada de Balão Intragástrico

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GALERIA DE IMAGENS:

– Imagens sobre cirurgia bariátrica e suas complicações

NOTA:  Selecionar órgão “Estômago” e  patologia “Cirurgia Bariátrica”

 

 

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Foto de perfil de Felipe Paludo Salles

Residência em Endoscopia Digestiva no Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP)
Residência em Gastroenterologia no Hospital Universitário da UFSC
Presidente da SOBED / SC na gestão 2018-2020
Médico da clínica ProGastro em Joinville e Endogastro em Florianópolis

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5 Comentários

  1. Foto de perfil de Bruno Martins

    Apenas lembrando que este estudo é retrospectivo, ou seja, sujeito a viés de seleção. Muitos grupos internam os pacientes superobesos em um spa antes da cirurgia para perda de 10% do peso, o que já facilita o ato cirúrgico. Ele descreve se orientou algo quanto a isso no grupo que não colocou balão?
    Outra dúvida: quanto tempo depois do balão foi feita a cirurgia? Já ouvi relatos de colegas que reclamaram de espessamento da parede gástrica quando operaram pacientes após colocação do balão.

    • Foto de perfil de Guilherme Sauniti

      A estrategia de perda de peso já é aliada dos cirurgiões há algum tempo. Vale lembrar, que obesos em geral, já tentaram todas as formas de perda de peso, sem sucesso (senão não estariam operando), fazendo do balão intragástrico, um coadjuvante importante nestes pacientes, em especial, os super obesos.

  2. Foto de perfil de Felipe Paludo Salles

    Com certeza é um estudo pequeno, retrospectivo e gera um grau de evidência baixo. Mas infelizmente é um dos melhores estudos publicados sobre o tema até o momento. Ambos os grupos foram acompanhados e fizeram as mesmas orientações supervisionadas por nutricionista e equipe multidisciplinar. Todos os pacientes foram submetidos a cirurgia 15 dias após a retirada do balão. Também já ouvi de alguns colegas cirurgiões este dado de espessamento da mucosa gástrica após a colocação do balão intragástrico, mas não encontrei na literatura nenhuma publicação ou citação sobre isto. Na verdade encontrei um trabalho onde fizeram dois grupos onde um no mesmo ato anestésico da retirada do balão, a cirurgia bariátrica era realizada. O intuito do estudo foi de provar que apesar de aumentar o tempo anestésico, a morbimortalidade do procedimento não mudava e esta estratégia poderia evitar uma outra anestesia geral a estes pacientes de alto risco anestésico.

    Surg Laparosc Endosc Percutan Tech. 2014 Aug;24(4):e137-9. doi: 10.1097/SLE.0b013e3182901544.
    Safety and feasibility of retrieval of intragastric balloon followed by antiobesity surgery on the same day.
    Young JA1, Alijani A, Patil PV, Shimi SM.

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Safety+and+Feasibility+of+Retrieval+of+Intragastric+Balloon+Followed+by+Antiobesity+Surgery+on+the+Same+Day

  3. As estratégias para perda de peso para a realização de uma cirurgia bariátrica mais segura e tecnicamente exequível são muitas e certamente o balão intragástrico como ponte funciona muito bem!
    O que temos que considerar é se de fato existe um espessamento da parede gástrica que possa de alguma forma atrapalhar o grampeamento
    Os colegas cirurgiões bariatricos podem colaborar com esse dado!!

  4. A utilização do balão intragástrico como auxiliar à perda de peso pré-operatória de pacientes super obesos já é bastante difundida entre diversos grupos. Entretanto, a prática clínica mostra que o impacto positivo do uso do balão resulta somente em um ato cirúrgico mais fácil de ser realizado, não havendo evidências de que seu emprego reduza o índice de complicações. Nesse contexto, é rotina do nosso grupo apenas indicar o balão em casos de pacientes super obesos com comorbidades descompensadas, que contra-indiquem o ato cirúrgico. Temos operado super-obesos (IMC>60) sem perda de peso pre-operatória pelo balão com bons resultados – diversos grupos relatam resultados semelhantes. Com relação ao espessamento da parede gástrica, ele existe, porém com os adventos dos novos grampeadores, o risco de fístula é semelhante ao de pacientes que não fizeram uso do balão. Um ponto técnico importante durante a cirurgia de pacientes com balão pre-operatório é o momento de fazer a abertura do reservatório gástrico para realizar a gastroenteroanastomose. Neste momento, em virtude do espessamento da parede gástrica, pode ocorrer a não abertura da parede em sua espessura total, provocando um falso trajeto. Por esses motivos, quando indicado o balão, recomendo que a cirurgia seja feita 4 semanas após a retirada do balão.

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