Gastroenterostomia guiada por ecoendoscopia: primeira experiência clínica dos EUA

Gastroenterostomia guiada por ecoendoscopia: primeira experiência clínica dos EUA
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O tratamento da síndrome de obstrução ao esvaziamento gástrico (SOEG) pode ser realizado endoscopicamente com a passagem de prótese metálica, ou mesmo através da abordagem cirúrgica.

Entretanto a passagem de prótese metálica coberta está associada com disfunção a longo prazo, seja por migração ou oclusão do lúmen da prótese. E a abordagem cirúrgica, por ser mais invasiva, pode estar associada a maiores custos e a um maior tempo de internação hospitalar.

A realização de gastroenterostomia guiada por ecoendoscopia (EUS-GE) é um procedimento novo, minimamente invasivo, que tem sido descrito principalmente em modelos animais. É uma técnica que pode oferecer patência prolongada da prótese, sem o risco de ingrowth ou overgrowth tumoral.

Objetivo:

 Reportar a primeira experiência com a realização de EUS-GE nos EUA, com relação a taxa de sucesso técnico, clínico, e de eventos adversos

Pacientes e métodos:

  • Estudo retrospectivo realizado em 2 centros americanos (Johns Hopkins, and University of North Carolina).
  • Pacientes com SOEG de origem benigna e maligna foram selecionados.
  • Sucesso técnico foi definido como o adequado posicionamento e liberação da prótese sob visão direta e fluoroscópica.
  • Sucesso clínico foi definido como a possibilidade do paciente tolerar a ingestão de dieta oral sem vômitos.

Procedimento:

Todos os pacientes receberam antibiótico profilaticamente. A técnica foi realizada de 2 formas: direta através de ecoendoscopia; ou com auxílio de balão.

A técnica direta é realizada pela punção da alça de delgado adjacente ao estômago, com posterior realização de enterografia, dilatação do trajeto, e por fim com passagem de prótese coberta com aposição dos lúmens (15 x 10 mm; Axios, Xlumena, Mountain View, Calif). A técnica assistida por balão envolve a passagem e posicionamento de um balão dilatador no delgado, que posteriormente é insulflado para guiar a puncão ecoendoscópica. O estouro e esvaziamento do balão indica a realização de uma punção adequada, a seguir os passos são semelhantes a técnica descrita anteriormente.

Os pacientes foram mantidos no hospital após o procedimento, e receberam antibiótico por mais 3 dias. Dieta líquida foi iniciada no dia seguinte, sendo progredida conforme aceitação. Pacientes receberam alta quando demonstraram aceitação adequada da dieta.

Resultados:

No período do estudo, 10 pacientes foram submetidos a EUS-GE, sendo:

  • Idade média: 55,8 anos; 7 homens;
  • Etiologia por câncer em 3 pacientes;
  • 9 pacientes realizaram a EUS-GE assistida por balão, e apenas 01 com a técnica direta;
  • Houve falha na realização de EUS-GE em 1 caso, pela perda do fio-guia durante a dilatação do trajeto com balão.

Dessa forma:

  • Sucesso técnico: 90% (9/10);
  • Não houve eventos adversos relacionados ao procedimento;
  • Tempo médio de realização: 96 min (rg 45 – 152 min) e tempo médio de hospitalização de 2.2 dias (2- a 3 dias);
  • Sucesso clínico com aceitação de dieta sólida foi possível em todos os 9 pacientes (100%)
  • Não houve recorrência após um acompanhamento médio de 150 dias (96 a 227 dias).

Conclusão:

A realização de gastroenteroanastomose por ecoendoscopia é um procedimento novo, ainda com poucos casos realizados em centros avançados de endoscopia, entretanto por sua abordagem prática e menos invasiva pode ser no futuro próximo o método de primeira linha para tratamento de pacientes com SOEG.

Referência e link para acesso ao artigo:

Khashab MA, Kumbhari V, Grimm IS, et al. EUS-guided gastroenterostomy: the first U.S. clinical experience (with video). Gastrointest Endosc 2015 Nov;82(5):932-8.

 

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Foto de perfil de Matheus Franco

Advanced Endoscopy Fellowship na Cleveland Clinic, Ohio, EUA.
Mestre pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/EPM.
Especialização em endoscopia oncológica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.

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6 Comentários

  1. Foto de perfil de Bruno Medrado

    Excelente artigo Matheus. Desde as primeiras descrições de gastroenteroanastomoses endoscópicas, eu tenho a impressão que essa será realmente um técnica útil e cotidiana. Esperemos novos trabalhos comparando com técnicas tradicionais. Abraços

  2. Otimo artigo sem duvida nenhuma mais uma tecnica endoscopica aliada a diminuicao de complicacoes. Custos ainda serao definidos!

  3. Foto de perfil de Matheus Franco

    Concordo com vocês. Também tenho a opinião de que em breve essa técnica será muito útil na prática da ecoendoscopia terapêutica. Abraços

  4. Foto de perfil de Bruno Martins

    Parece ser uma técnica promissora. Não entendi muito bem como se faz essa técnica direta, mas não pareceu ser muito segura. A guiada por eco parece ser mais segura. Seria interessante um video do procedimento. Excelente!

  5. Foto de perfil de Matheus Franco

    Bruno como você bem colocou a técnica com balão é mais segura mesmo. A técnica direta foi realizada em apenas 1 caso em que a técnica com balão não foi possível pois havia SOEG com obstrução completa. A técnica direta é mais arriscada pois é realizada com punção ecoguiada de alça próximo ao estômago sem auxílio visual do balão. O artigo contém um vídeo do procedimento, entretanto não é de acesso livre. Abraço!

  6. EUS-GJ is a useful technique for the treatment of patients with benign and malignant symptomatic gastric outlet obstruction. The main advantage over enteral stenting is the elimination of risk of recurrent obstruction due to tumor/tissue ingrowth/overgrowth.
    The procedure is technically challenging and utilizes lumen apposing stents. It can be done via different approaches, most commonly the direct approach or the balloon-assisted approach as described in the paper. Technical and clinical success are seen in more than 90% of patients. Adverse events may occur, the most common being stent misdeployment.

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