Síndrome pós-polipectomia

Síndrome pós-polipectomia
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A realização de polipectomias faz parte do dia a dia do colonoscopista, como parte de procedimentos de rotina, exame diagnósticos etc.  As principais complicações evidenciadas incluem ressecção incompleta da lesão, sangramento e perfuração.  A síndrome pós-polipectomia é um complicação pouco frequente e menos conhecida que as demais no entanto de extrema relevância. Sobre ela comentamos:

 

A síndrome de coagulação pós polipectomia (post-polypectomy coagulation syndrome – PPCS) foi descrita por J. Waye ao observar pacientes que apresentaram quadro de dor abdominal de forte intensidade, sinais de peritonismo, taquicardia e febre após polipectomia com uso de corrente elétrica porém que não apresentavam evidência de perfuração colônica nos exames de imagem.
O diagnóstico desta síndrome é de exclusão, sendo imprescindível avaliar e descartar a presença de pneumoperitôneo.
O principal sintoma é dor abdominal após colonoscopia, o que pode ocorrer nas primeiras 12h pós procedimento porém são descritos casos tardios, após até 5-7dias.
Considera-se que a síndrome decorre de lesão transmural secundária a corrente diatérmica, com preservação da serosa, não havendo portanto pneumoperitôneo.
Incidência é baixa, sendo estimada entre 0,5 a 1,2% porém de grande relevância pois faz diagnóstico diferencial com perfuração colônica pós polipectomia.
Exames de imagem (tomografia computadorizada com contraste) evidenciam: ausência de pneumoperitôneo, espessamento da parede colônica com infiltrado inflamatório adjacente e presença de líquido na camada muscular do cólon.
O tratamento é conservador, baseado em internamento hospitalar, jejum, antibioticoterapia e vigilância. Não há necessidade de intervenção cirúrgica.
É importante ressaltar que a etiologia da lesão está associada a queimadura de camadas profundas do cólon. A evolução destes casos via de regra é satisfatória. Havendo intercorrências ou evolução insatisfatória, a possibilidade de perfuração tardia ou diagnóstico inicial equivocado (falha nos exames de imagem) deve ser suspeitado, sendo crucial a re-avaliação do caso com o cirurgião.
Alguns autores usam o termo transmural burn syndrome ou simplesmente coagulation syndrome (CS) para incluir pacientes submetidos a ressecções endoscópicas por mucosectomia (EMR) ou dissecção endoscópica da submucosa (ESD) que apresentam quadro clínico semelhante a PPCS.
Embora não haja relato de perfuração tardia em PPCS, há descrição de perfuração tardia após CS (caso de ESD) indicando a importância em manter o paciente em internamento hospitalar e vigilância.
Bacteremia transitória pode ocorrer após procedimentos diagnósticos ou terapêuticos correspondendo a translocação de bactérias da flora do próprio paciente para a corrente sanguínea. De acordo com a ASGE, a incidência após colonoscopia com ou sem polipectomia é de aproximadamente 4% , porém raramente associadas a casos de infecção propriamente dita como endocardite ou peritonite.

 

Referências:

  1. CT findings of post-polypectomy coagulation syndrome and colonic perforation in patients who underwent colonoscopy polypectomy. Shin et al. Clinical Radiology 2016;e1-e7
  2. Features of electrocoagulation syndrome after endoscopic submucosal dissection for colorectal neoplasm. Yamashina et al Gastroenterology and Hepatology 2016; 31:615–620
  3. Coagulation syndrome: Delayed perforation after colorectal endoscopic treatments. Hirasawa et al. World J Gastrointest Endosc  2015: 7(12): 1055-1061
  4. What Is Different  between Postpolypectomy Fever and  Postpolypectomy Coagulation Syndrome? Hyung Wook Kim.  Clin Endosc  2014;47:205-206
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Como citar esse artigo:

Ferreira F. Síndrome pós-polipectomia. Endoscopia Terapêutica; 2018. Disponível em: https://endoscopiaterapeutica.com.br/assuntosgerais/sindrome-pos-polipectomia/

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Foto de perfil de Flávio Ferreira

Médico Endoscopista na NeoGastro
Coordenador do Setor de Endoscopia do Hospital Otávio de Freitas
Mestre em Cirurgia (UFPE)
Especialização em Endoscopia (USP)

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