Adenocarcinoma de duodeno – Ressecção endoscópica

Adenocarcinoma de duodeno – Ressecção endoscópica
Compartilhe:

Paciente feminina, 65 anos, com antecedente de hipotireoidismo, foi submetida a endoscopia por dispepsia, sendo observada na segunda porção duodenal, distal e contralateral a papila maior, a seguinte lesão:

 

Adenoca de duodeno Adenoca de duodeno 2 Adenoca de duodeno 34 Adenoca de duodeno 3

Biópsias demonstraram:

  • Adenocarcinoma intramucoso. Padrão tubular, bem diferenciada.

Em conjunto com a equipe cirúrgica, optado pela realização de ressecção endoscópica.

Abaixo imagens do procedimento:

Visão endoscópica com luz branca. Uso de cap transparente para realização do procedimento.

Visão endoscópica com luz branca. Uso de cap transparente para realização do procedimento.

DSC00009

Cromoscopia com FICE.

Cromoscopia com FICE.

Cromoscopia com indigo carmin.

Cromoscopia com indigo carmin.

Cromoscopia indigo + FICE.

Cromoscopia indigo + FICE.

Elevação da lesão com injeção de solução de manitol 10% na submucosa.

Elevação da lesão com injeção de solução hipertônica com adrenalina e indigo.

DSC00023

Aspecto após injeção na submucosa.

Aspecto após injeção na submucosa.

Mucosectomia com alça multifilamentar de 15 mm.

Mucosectomia com alça multifilamentar de 15 mm.

Apreensão completa da lesão com a alça.

Apreensão completa da lesão com a alça.

Leito após resseção endoscópica.

Leito após resseção endoscópica.

DSC00030

Pós ressecção - uso de FICE. Sem sinais de lesão residual.

Pós ressecção – uso de FICE. Sem sinais de lesão residual.

Aplicação de clipe metálico para fechamento da ferida cirúrgica.

Aplicação de clipe metálico para fechamento da ferida cirúrgica.

DSC00043

Fixação da espécime cirúrgica - uso de indigo carmin.

Fixação da espécime cirúrgica – uso de indigo carmin.

Indigo + FICE.

Indigo + FICE.

 

Vídeo da ressecção:

A análise anatomopatológica evidenciou: adenocarcinoma tubular, bem diferenciado, intramucoso (com invasão da lâmina própria), margens vertical e horizontal livres, ausência de invasão linfática e vascular.

Paciente evoluiu sem intercorrências, recebeu alta no segundo dia, e a ressecção foi considerada curativa.

Breve revisão:

O adenocarcinoma duodenal não-ampular é uma neoplasia rara porém agressiva, podendo ocorrer de novo ou seguindo a sequência de adenoma-carcinoma, tal como observado em doentes com polipose adenomatosa familiar. Como o prognóstico dos carcinomas duodenais avançados é ruim, a detecção e tratamento precoce são essenciais.

Os principais achados endoscópicos de que uma lesão suspeita possa ser um adenocarcinoma são: depressão, componente avermelhado, e superfície granular heterogênea.

Os adenocarcinomas restritos a camada mucosa constituem a principal indicação para ressecção endoscópica, seja pela técnica de EMR ou ESD, sendo fundamental a ressecção em bloco para diminuir o risco de recidiva. Já as lesões que invadem superficialmente a submucosa, apesar de poderem ser removidas endoscopicamente, geralmente são encaminhadas para tratamento cirúrgico, uma vez que apresentam risco de metástase linfonodal (5.4%).

A ressecção endoscópica é uma forma de tratamento minimamente invasiva em comparação com a ressecção cirúrgica. No entanto, no duodeno está associada a um alto risco de complicações, como sangramento e perfuração.

Nota: Caso realizado por Nelson Miyajima e Matheus Franco.

Referências:

  1. Kakushima N, Kanemoto H, Sasaki K, et al. Endoscopic and biopsy diagnoses of superficial, nonampullary, duodenal adenocarcinomas. World J Gastroenterol. 2015;21(18):5560-7.
  2. Gaspar JP, Stelow EB, Wang AY. Approach to the endoscopic resection of duodenal lesions. World J Gastroenterol. 2016 Jan 14;22(2):600-17.
  3. Kakushima N, Kanemoto H, Tanaka M, et al. Treatment for superficial non-ampullary duodenal epithelial tumors. World J Gastroenterol. 2014;20(35):12501-8.

 

 

 

Baixar em PDF
Compartilhe:
Foto de perfil de Matheus Franco

Advanced Endoscopy Fellowship na Cleveland Clinic, Ohio, EUA.
Mestre pela Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/EPM.
Especialização em endoscopia oncológica no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP.

Baixar em PDF

5 Comentários

  1. Pensaram em fazer EUS da lesão?
    Parabéns doutor Nelson lindo procedimento

  2. Foto de perfil de Bruno Medrado

    Mateus, parabéns pelo procedimento. Uma dúvida, qual foi a solução utilizada para a injeção ? É a corrente utilizada? Abraço

  3. Foto de perfil de Matheus Franco

    Bruno, foi utlizada corrente monoplor blend 1, mas poderia ser endocut se disponível.
    A solução foi de manitol com soro a 10%, e adrenalina (1 ampola para cada 250 ml de soro, depois meio a meio com manitol a 20%).
    Abraço

  4. Foto de perfil de Matheus Franco

    Stephanie, não pensamos em fazer EUS, pois não achamos boas evidências para esse método no adenocarcinoma duodenal não-ampular. A analogia com o câncer gástrico precoce também nos faz pensar que o EUS não tenha uma acurácia tão satisfatória, e que a avaliação endoscópica seja suficiente para indicar o a ressecção na maioria dos casos. Obrigado

  5. Foto de perfil de Nelson Miyajima

    Obrigado Stephanie.
    Neste caso não aventamos a possibilidade de realizarmos EUS, pois o aspecto macroscópico e a propedêutica endoscópica sugeriam lesão superperficial.
    Indicamos a ecoendoscopia nos casos duvidosos em relação ao nível de invasão. Lembrando que para a interpretação e condução do caso, devemos considerar que a ecoendoscopia tende a hiperestadiar e também da morbidade e mortalidade relacionados a opção do tratamento cirúrgico.
    Aproveito p parabenizar o Dr. Matheus pelo diagnóstico preciso.

    Abs

Deixe um comentário