Cisto de Duplicação Gástrica

Cisto de Duplicação Gástrica
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Paciente masculino, 25 anos, com queixa de desconforto e plenitude gástrica associados a vômitos pós-alimentares que se iniciaram há 2 anos, mas que eram de leve intensidade. Nos últimos 3 meses, evoluiu com a piora do desconforto e aumento da frequência dos vômitos. Negava comorbidades. Exame físico normal. 

Realizou uma endoscopia com os achados abaixo:

Cisto de duplicação gástrica

Volumosa lesão subepitelial no cárdia e fundo gástrico. Ausência de outras alterações.

Com este achado o paciente foi encaminhado para realização de uma ecoendoscopia para avaliar a origem e as características da lesão.

 

Ecoendoscopia

Cisto de duplicação gástrica

Volumosa lesão hipoecoica no fundo gástrico, medindo 76 x 34 mm. Notam-se áreas de reforço posterior (seta branca) e focos hiperecoicos (setas amarelas) no interior da lesão. Esses focos apresentavam movimentação lenta com a compressão do aparelho.

 

Cisto de duplicação gástrica

Alguns dos focos hiperecoicos também apresentavam artefatos em cauda de cometa (seta branca). Não está representado na imagem, mas a lesão não tinha fluxo ao doppler.

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Avaliação da camada de origem da lesão

Avaliando as extremidades da lesão, a definição da parede de origem era duvidosa. Internamente, tocando o probe, 3 camadas eram bem definidas, mas, posteriormente à lesão, era possível identificar mais camadas do que o esperado.

A lesão foi considerada como cística com conteúdo espesso e com debris flutuantes do seu interior. Aparentemente, era circundada por uma parede com 3 camadas, sendo uma hiperecoica mais interna. Esses achados são muito sugestivos de cistos de duplicação.

Optou-se por não realizar punção devido ao alto risco de infectar a lesão. Uma ressonância foi solicitada para confirmar os achados e avaliar melhor a lesão.

A RNM confirmou a presença de volumosa lesão cística com conteúdo espesso em continuidade com a parede gástrica.

Foi indicada uma gastrectomia parcial (em cunha) com ressecção completa da lesão. Os achados patológicos confirmaram cisto de duplicação gástrica.

Após a cirurgia, o paciente evoluiu com melhora dos sintomas.

Cistos de duplicação Gástrica

 

Os cistos de duplicação do trato gastrointestinal são raros, apresentando uma incidência de 1 a cada 4.500 nascimentos. A grande maioria é identificada até os 12 anos de idade. A localização mais comum é no íleo (35%), e a menos comum é no estômago, correspondendo apenas de 2 a 9% dos casos.

As duplicações gástricas são geralmente únicas e, em geral, não se comunicam com a luz gástrica. Histologicamente, o cisto pode conter mucosa, submucosa, uma camada muscular e uma cápsula fibrosa. A mucosa pode conter epitélio foveolar gástrico e também epitélio ciliado colunar pseudoestratificado.

A maior parte dos cistos de duplicação gástrica está localizada na grande curvatura do estômago, mas também podem ser encontrados próximos do cárdia, no fundo e menos frequentemente na pequena curvatura.

Em relação aos sintomas, a maioria é assintomática. Quando sintomática, pode levar à dor abdominal, vômitos, perda de peso, obstrução gástrica, ulceração e perda de peso.

Existem alguns relatos de transformação maligna desse tipo de lesão, porém esse é um evento bastante raro.

Achados ecoendoscópicos

– Podem conter 3-5 camadas;
– O clássico é uma camada interna hiperecoica e uma camada hipoecoica intermediária, correspondendo à camada muscular;
– Podem conter material espesso, septos, níveis líquidos e debris;
– A presença de peristalse é um achado bastante específico para cisto de duplicação.

Diagnóstico​

Geralmente, os achados de imagem são suficientes para a confirmação diagnóstica.

O papel da realização de punção ecoguiada nessas lesões é controverso. Apesar de existir um risco de malignização (muito baixo), o risco de infecção do cisto, após a punção, é significativo.

Tratamento​

Geralmente, o tratamento dessas lesões é cirúrgico.

Uma conduta conservadora pode ser considerada em pacientes assintomáticos e com lesões pequenas.

Drenagem e marsupialização endoscópica do cisto, apesar de possível, é desencorajada devido ao alto risco de formação de úlceras.

Referências​

  1. Liu R, Adler DG. Duplication cysts: Diagnosis, management, and the role of endoscopic ultrasound. Endosc Ultrasound 2014;3:152-60.
  2. Matthew P. Doepker, Syed A. Ahmad. Gastric duplication cyst: a rare entity. J Surg Case Rep. 2016 May; 2016(5).
  3. Amal Bennani, A. Miry, I. Kamaoui, T. Harroudi. Gastric duplication cyst in an adult with autoimmune hemolytic anemia: a case report and review of the literature. J Med Case Rep. 2018; 12: 380.
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Foto de perfil de Ivan R B Orso

Doutor em Ciências em Gastroenterologia pela USP
Especialista em Endoscopia Diagnóstica e Terapêutica da Gastroclínica Cascavel e do Hospital São Lucas FAG
Coordenador da Residência Médica em Cirurgia Geral e Professor de Gastroenterologia da Escola de Medicina da Faculdade Assis Gurgacz

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