Ruptura de anel de bariátrica com balão de acalásia

Ruptura de anel de bariátrica com balão de acalásia
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Uma das técnicas mais utilizadas de cirurgia bariátrica é a derivação gástrica em Y-de-Roux. Fobi  e Capella, associaram a esse procedimento um anel restringindo a saída da câmara gástrica funcionante, acentuando a eficiência na perda de peso a longo prazo. Porém, estudos posteriores demonstraram que o anel causa complicações de 1 a 20% dos pacientes que vão desde episgastralgia com disfagia e vômitos, até deslizamento do anel e erosão para o lúmen gástrico. Essas complicações fizeram com que grande parte dos cirurgiões abandonassem o seu uso.

Atualmente, o endoscopista se depara com certa frequência com complicações de anéis colocados em cirurgias antigas. A disfagia com vômitos frequentes é uma delas. Nestes pacientes a conduta costuma ser a remoção cirúrgica do anel, mas existe uma opção endoscópica que pode ser realizada.

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Dilatação realizada com balão pneumático de acalásia de 30 mm e fio guia hidrofílico.

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Foto de perfil de Ivan R B Orso

Doutor em Ciências em Gastroenterologia pela USP
Especialista em Endoscopia Diagnóstica e Terapêutica da Gastroclínica Cascavel e do Hospital São Lucas FAG
Coordenador da Residência Médica em Cirurgia Geral e Professor de Gastroenterologia da Escola de Medicina da Faculdade Assis Gurgacz

8 Comentários

  1. Bem ilustrativo !!!! Ivan, essa técnica só se aplica quando a mucosa que recobre o anel está íntegra ou pode ser utilizada quando há extrusão do anel ???

    • Renzo, utilizo a ruptura do anel com balão de acalásia apenas em pacientes bastante sintomáticos, com vômitos frequentes, disfagia importante devido à presença do anel e somente nos casos onde NÃO há extrusão para a luz gástrica. Nos casos com extrusão, prefiro a remoção endoscópica. Costumo aguardar até pelo menos 50 % do anel ficar exposto e então secciono com tesoura ou rompo o fio com pinça dente de rato para depois tracionar e remover o anel.

  2. Olá Ivan. Belo registro. Fiquei com duas dúvidas:
    1 – O aspecto endoscópico inicial demonstra uma luz bastante pérvea comparada a de alguns anéis..isso não fala mais a favor de uma alteração funcional do que anatômica?
    2 – A dilatação da extremidade distal do balao até 30 mm não pode acarretar perfuração da alça jejunal? Jã teve algum caso?

  3. Foto de perfil de Ivan R B Orso

    Vinícius, seu primeiro questionamento é muito pertinente. Por que alguns pacientes mesmo com anéis mais justos não tem sintomas disfágicos e outros com anéis mais largos apresentam sintomas que comprometem bastante a qualidade de vida? Na minha opinião é uma associação entre um distúrbio funcional (redução da motilidade do reservatório gástrico fazendo com que mesmo a restrição causada pelo anel com calibre adequado já leve à sintomas significativos) associada à erro alimentar (o paciente que come rápido e sem mastigar). Estes pacientes após a ruptura ou remoção cirúrgica do anel tendem a ter uma melhora significativa dos sintomas. Porém, costumam reganhar bastante peso.
    Em relação às complicações, até o momento não tive nenhuma perfuração. O único evento adverso que tive foi um anel que não rompeu com a dilatação, necessitando remoção laparoscópica posterior. Na maioria dos casos também não chego à pressão máxima do balão, geralmente o anel costuma romper próximo de 10 PSI. Acompanho pela fluoroscopia e dilato até o anel ceder.
    Tem um artigo publicado na Gastrointestinal Endoscopy com uma série de 39 casos onde esta técnica foi aplicada sem nenhum caso de perfuração (Gastrointest Endosc. 2010 Jul;72(1):44-9. doi: 10.1016/j.gie.2010.01.057).

  4. Boa noite ..meu anel está partido.. fiz a seriografia .. vomito mt o que devo fazer??? e realmente necessario tira-lo???

  5. Tive um paciente com anel intraluminar em que a tesoura por não estar bem AMOLADA não conseguia cortar o anel. O precidimento foi completado pela uso do Plasma de Argonio que concluiu a secção e remoção do anel.

  6. Olá, Ivan.

    Parabéns pelo vídeo.. realmente bem ilustrativo!
    Tem feito uso dessa técnica na alça jejunal? Para ruptura de anel deslizado, por exemplo?
    Como tem sido seus resultados e complicações?

    Abraço.

    • Foto de perfil de Ivan R B Orso

      Olá Leonardo, obrigado pelo comentário. Esta técnica pode sim ser utilizada em anéis deslizados causando obstrução da via de saída do pouch. Até o momento não tive nenhuma perfuração mas confesso que quando o anel está localizado mais para o lado do delgado do que do estômago eu fico mais preocupado. Só utilizo esta técnica sob acompanhamento radiológico. Além disso, se o anel não rompe com o balão de 30 mm chegando próximo dos 10-11 PSI eu também não forço mais do que isso. Outra coisa importante é conversar bem com o paciente sobre o risco e benefício do procedimento. Se houver alguma complicação, o que é raro, poderá ser necessária uma abordagem cirúrgica, porém, a outra opção é ir direto para a cirurgia…

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